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Três em dez trabalhadores da indústria relatam ansiedade ou depressão

Levantamento da FGV EAESP e da USP com 2.241 trabalhadores de nove empresas achou sintomas de estresse, ansiedade e depressão no pós-pandemia; 10% graves.

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Redação Novidades Psi
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Fonte conferida em
Colagem com balança de dois pratos sobre uma mesa, paisagem de arquivo e papel verde sálvia.
Fotografia: Wikimedia Commons, CC0 Contexto: Nationaal Archief (CC0).

O que saiu

A Agência Bori divulgou nesta sexta-feira (23) um levantamento da FGV EAESP (Escola de Administração de Empresas de São Paulo) e do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP sobre a saúde mental de trabalhadores de empresas industriais no início da recuperação econômica após a pandemia de covid-19. O artigo foi publicado na Revista Brasileira de Saúde Ocupacional. Quase três em cada dez participantes relataram sintomas de estresse, ansiedade ou depressão, e cerca de 10% tiveram sintomas graves ou extremamente graves.

O que o estudo diz

A pesquisa reuniu 2.241 trabalhadores de nove empresas dos setores de manufatura e construção civil que permaneceram em operação durante a pandemia. Entre outubro e novembro de 2021, eles responderam de forma voluntária e anônima a um questionário on-line que avalia a presença e a intensidade de sintomas de estresse, ansiedade e depressão. O instrumento não estabelece diagnóstico clínico. A maioria dos respondentes tinha função administrativa, e quase metade trabalhava só em home office.

O trabalho híbrido também esteve associado a maior grau de estresse, ansiedade e depressão em comparação com o presencial. A Bori ressalva que o desenho do levantamento não permite concluir que o modelo de trabalho tenha causado os sintomas. Os resultados acompanham outras pesquisas feitas durante a pandemia e ampliam o conhecimento sobre um grupo pouco estudado naquele período, o dos trabalhadores da indústria.

Os autores chamam atenção para o sofrimento de quem continua trabalhando com comprometimento importante da saúde mental. Segundo o médico Alberto José Niituma Ogata, pesquisador do FGV Saúde, essa situação pode aumentar o risco de acidentes, e as empresas precisam olhar para ela antes que resulte em afastamento. A coautora Ana Maria Malik aponta a distância entre a visibilidade do tema e a capacidade real de atendimento. O FGV Saúde prepara um termo de cooperação com a Fundacentro, vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego, para novas pesquisas sobre saúde mental e trabalho.

Fonte

Texto original: Três em cada dez trabalhadores da indústria relataram sintomas de ansiedade ou depressão pós-pandemia da covid-19, Agência Bori, 2026-10-23. Artigo na Revista Brasileira de Saúde Ocupacional: DOI 10.1590/2317-6369/11424pt2026v51e32.

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