A Nature Mental Health publicou nesta quinta-feira (23) uma revisão sistemática com metanálise sobre a terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I) como estratégia de prevenção do suicídio. O trabalho reuniu 19 ensaios clínicos randomizados, com 4.974 adultos com insônia no início dos estudos, e mediu o efeito do tratamento sobre a gravidade da ideação suicida, sobre comportamentos suicidas e sobre mortes por suicídio. O artigo é de acesso aberto.
O que o estudo diz
A razão de médias foi de 0,77, com intervalo de confiança de 95% entre 0,66 e 0,90, em 16 estudos, e os autores classificam a certeza dessa evidência como alta. A análise de sensibilidade, que exclui estudos com alto risco de viés, com mais de 20% de desistência ou com lista de espera como controle, manteve o resultado.
No seguimento, o quadro muda. Nas avaliações feitas de um a três meses e de cinco a seis meses depois do tratamento, não houve diferença significativa entre quem fez TCC-I e os controles, e a certeza da evidência nesses pontos vai de muito baixa a moderada, em parte porque menos ensaios acompanharam os participantes por mais tempo. Entre os desfechos secundários, a TCC-I reduziu a gravidade da insônia (diferença média de 4,09 pontos a menos no Índice de Gravidade da Insônia) e da depressão (diferença média padronizada de 0,42) logo após a intervenção.
Sobre comportamento suicida, os números são pequenos demais para conclusões: em nove ensaios, dois participantes dos grupos de TCC-I relataram tentativa de suicídio, contra nenhum nos controles, e não houve morte por suicídio registrada. Os autores também não encontraram evidência de que a queda na ideação dependesse da melhora da insônia ou da depressão, e não puderam testar a desesperança como moderadora por falta de dados. A TCC-I incluída precisava ter controle de estímulos ou restrição de sono, em qualquer formato de entrega. Dois terços dos participantes eram mulheres, e apenas três ensaios recrutaram pessoas com ideação suicida atual ou recente.
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