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Anorexia está associada a perda de coordenação entre regiões do córtex

Estudo transversal com 50 pacientes e 40 controles achou menor semelhança estrutural entre regiões do córtex, maior quanto mais baixo o IMC.

Por
Redação Novidades Psi
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Colagem com régua transparente sobre uma mesa de, livro aberto com uma fotografia e papel verde sálvia.
Fotografia: Wikimedia Commons, CC0. Contexto: Rijksmuseum (via Wikimedia Commons), CC0.

O que saiu

A Nature Mental Health publicou em 21 de setembro de 2026 um estudo transversal que mapeou a organização do córtex cerebral de mulheres com anorexia nervosa. A equipe comparou exames de ressonância magnética de 50 pacientes, recrutadas no centro de transtornos alimentares do Hospital de Pádua, na Itália, com os de 40 mulheres sem o transtorno. O resultado central é uma redução global da semelhança estrutural entre regiões do córtex, mais marcada quanto menor o índice de massa corporal (IMC). O artigo é de acesso aberto.

O que o estudo diz

O trabalho usou um método chamado MIND, que combina várias medidas da anatomia cortical (espessura, curvatura, profundidade dos sulcos, área de superfície) para estimar o quanto cada par de regiões se parece. Regiões parecidas tendem a funcionar em rede, então a perda de semelhança é lida como perda de coordenação estrutural. As pacientes tinham idade média de 20,4 anos e IMC médio de 15,69; o grupo de comparação, 25,3 anos e IMC médio de 20,23. Todas as participantes eram do sexo feminino, e 26 pacientes usavam medicação psicotrópica.

A perda apareceu sobretudo nas redes transmodais, as que integram informação sensorial, cognitiva e afetiva: límbica, frontoparietal, de modo padrão e as duas redes de atenção. Nas redes sensório-motora e visual não houve diferença significativa. Treze regiões resistiram à correção para comparações múltiplas, e a análise de conexões mostrou enfraquecimento do acoplamento de longa distância entre circuitos de atenção e áreas límbicas e pré-frontais. O mapa das alterações coincidiu com a densidade de receptores de serotonina, opioides e canabinoides, medida em atlas feitos com outras pessoas, saudáveis. Refazer as análises levando em conta a medicação manteve o padrão.

O que o estudo fez, em quatro passosEstudo transversal publicado na Nature Mental Health em 21 de setembro de 2026. 1. Reuniu 90 participantes. 50 mulheres com anorexia nervosa e 40 sem o transtorno, todas do sexo feminino. 2. Dividiu o córtex em 100 regiões. Comparou cada par de regiões por espessura, curvatura, sulcos e área de superfície. 3. Comparou as redes do cérebro. A perda de semelhança se concentrou nas redes transmodais, não nas sensoriais. 4. Cruzou com 18 atlas de receptores. As alterações coincidiram com serotonina, opioides e canabinoides, em correlação espacial. Fonte: Nature Mental Health, 2026-09-21.INFOGRÁFICOO que o estudo fez, em quatropassosEstudo transversal publicado na NatureMental Health em 21 de setembro de 2026.1Reuniu 90 participantes50 mulheres com anorexia nervosa e 40sem o transtorno, todas do sexofeminino.2Dividiu o córtex em 100 regiõesComparou cada par de regiões porespessura, curvatura, sulcos e área desuperfície.3Comparou as redes do cérebroA perda de semelhança se concentrounas redes transmodais, não nassensoriais.4Cruzou com 18 atlas de receptoresAs alterações coincidiram comserotonina, opioides e canabinoides,em correlação espacial.Fonte: Nature Mental Health, 2026-09-21.

Os próprios autores listam os limites: amostra modesta, só mulheres, grupo de pacientes um pouco mais jovem que o de comparação, e uma ligação com receptores que é apenas correlação espacial, porque os atlas vieram de amostras independentes. O desenho transversal não permite afirmar causa nem dizer se as alterações se desfazem com a recuperação do peso. A hipótese dos autores é que a desnutrição comprometa o córtex ao longo desses eixos neuroquímicos, e eles pedem estudos longitudinais para testá-la.

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