A Nature Mental Health publicou em 21 de setembro de 2026 um estudo transversal que mapeou a organização do córtex cerebral de mulheres com anorexia nervosa. A equipe comparou exames de ressonância magnética de 50 pacientes, recrutadas no centro de transtornos alimentares do Hospital de Pádua, na Itália, com os de 40 mulheres sem o transtorno. O resultado central é uma redução global da semelhança estrutural entre regiões do córtex, mais marcada quanto menor o índice de massa corporal (IMC). O artigo é de acesso aberto.
O que o estudo diz
O trabalho usou um método chamado MIND, que combina várias medidas da anatomia cortical (espessura, curvatura, profundidade dos sulcos, área de superfície) para estimar o quanto cada par de regiões se parece. Regiões parecidas tendem a funcionar em rede, então a perda de semelhança é lida como perda de coordenação estrutural. As pacientes tinham idade média de 20,4 anos e IMC médio de 15,69; o grupo de comparação, 25,3 anos e IMC médio de 20,23. Todas as participantes eram do sexo feminino, e 26 pacientes usavam medicação psicotrópica.
A perda apareceu sobretudo nas redes transmodais, as que integram informação sensorial, cognitiva e afetiva: límbica, frontoparietal, de modo padrão e as duas redes de atenção. Nas redes sensório-motora e visual não houve diferença significativa. Treze regiões resistiram à correção para comparações múltiplas, e a análise de conexões mostrou enfraquecimento do acoplamento de longa distância entre circuitos de atenção e áreas límbicas e pré-frontais. O mapa das alterações coincidiu com a densidade de receptores de serotonina, opioides e canabinoides, medida em atlas feitos com outras pessoas, saudáveis. Refazer as análises levando em conta a medicação manteve o padrão.
Os próprios autores listam os limites: amostra modesta, só mulheres, grupo de pacientes um pouco mais jovem que o de comparação, e uma ligação com receptores que é apenas correlação espacial, porque os atlas vieram de amostras independentes. O desenho transversal não permite afirmar causa nem dizer se as alterações se desfazem com a recuperação do peso. A hipótese dos autores é que a desnutrição comprometa o córtex ao longo desses eixos neuroquímicos, e eles pedem estudos longitudinais para testá-la.
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