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Aplicativo da USP para depressão pós-parto não supera controle ativo

Em ensaio com 264 mulheres, o app baseado em TCC não reduziu mais os sintomas depressivos, mas melhorou sono, ativação comportamental e estresse parental.

Por
Redação Novidades Psi
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4 min
Fonte conferida em
Colagem com cadeira de escritório de madeira sobre, escritório antigo com mesas, cadeiras e e papel carmim.
Fotografia: National Park Service (via Wikimedia Commons), Domínio público. Contexto: University of Colorado Boulder Libraries (via DPLA) (via Wikimedia Commons), Domínio público.

O que saiu

O Jornal da USP publicou em 22 de setembro de 2026 uma reportagem sobre o Motherly, aplicativo criado por pesquisadores do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP para levar técnicas da terapia cognitivo-comportamental (TCC) a mulheres com depressão pós-parto. A peça apresenta uma dissertação que analisou os dados de um ensaio clínico randomizado com o aplicativo. O resultado principal é negativo: na média, o Motherly não reduziu os sintomas depressivos mais do que o aplicativo usado como comparação.

O que o estudo diz

O ensaio sorteou 264 mulheres com depressão pós-parto, em até 12 meses após o parto e recrutadas por triagem virtual, entre dois grupos. Um usou o Motherly; o outro, um aplicativo de psicoeducação do mesmo grupo de pesquisa, que serviu de controle ativo. Controle ativo é a comparação com uma intervenção que já tem algum efeito conhecido, usada quando não há placebo possível. O aplicativo de controle não era voltado ao período perinatal e trazia vídeos curtos, sem aprofundar técnicas.

O centro do Motherly é a ativação comportamental, técnica da TCC que monta um cronograma para a pessoa retomar aos poucos as atividades que abandonou por causa da depressão, dividindo metas grandes em partes pequenas. No aplicativo, ela chega em etapas.

Como o aplicativo ensina a ativação comportamentalDescrição publicada pelo Jornal da USP em 22 de setembro de 2026. 1. Jornadas. Tutoriais apresentam os conceitos da ativação comportamental. 2. Agenda. Depois das jornadas, a usuária libera uma página para organizar metas. 3. Critérios. Cada meta é organizada por dificuldade, relevância e interesse. 4. Novos objetivos. Conforme as atividades são cumpridas, o aplicativo ajuda a escolher as próximas. Fonte: Jornal da USP, Ciências e Saúde, 2026-09-22.INFOGRÁFICOComo o aplicativo ensina aativação comportamentalDescrição publicada pelo Jornal da USP em 22de setembro de 2026.1JornadasTutoriais apresentam os conceitos daativação comportamental.2AgendaDepois das jornadas, a usuária liberauma página para organizar metas.3CritériosCada meta é organizada pordificuldade, relevância e interesse.4Novos objetivosConforme as atividades são cumpridas,o aplicativo ajuda a escolher aspróximas.Fonte: Jornal da USP, Ciências e Saúde, 2026-09-22.

Segundo a reportagem, as avaliações clínicas feitas antes e depois da intervenção não mostraram diferença nos sintomas depressivos entre os grupos. O aplicativo teve efeito em desfechos secundários: qualidade do sono, ativação comportamental e estresse parental. A dissertação também investigou moderadores. Mulheres que fizeram mais consultas pediátricas no período responderam melhor, e as que tinham mais filhos responderam pior, o que a autora atribui, como hipótese, à sobrecarga de cuidado. Entre as voluntárias que mais usaram o aplicativo houve melhora da depressão, e os pesquisadores apontam a adesão como o principal fator de resposta; a limitação é que esse dado vem de um recorte por uso, e não da comparação entre os grupos sorteados. A reportagem não traz tamanhos de efeito nem taxas de uso, e os resultados aqui são os relatados por ela, não lidos na dissertação.

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