Pesquisa
Dificuldades de movimento acompanham grupos de sintomas psíquicos
Estudo com 3.460 pessoas sem diagnóstico achou ligações entre queixas motoras e grupos de sintomas, mas nenhum perfil de movimento próprio de um transtorno.

O que saiu
O BPS Research Digest, serviço de divulgação científica da Sociedade Britânica de Psicologia, publicou em 2026-09-22 um resumo de um estudo da revista Clinical Psychological Science, conduzido por pesquisadores da Northwestern University, nos Estados Unidos. A pergunta era se dificuldades de movimento podem ser associadas a sintomas psicológicos específicos, independentemente do diagnóstico. A resposta dos autores é que isso é possível só em parte: não apareceu nenhum perfil motor exclusivo de um transtorno, mas surgiram ligações entre queixas motoras e grupos de sintomas.
O que o estudo diz
Problemas para caminhar, de coordenação entre olhos e mãos ou movimentos bruscos e involuntários já aparecem associados a quadros como autismo, TDAH e esquizofrenia. O que não estava claro era se cada dificuldade motora corresponde a um sintoma psíquico definido. A equipe analisou dados de 3.460 participantes sem nenhum transtorno mental diagnosticado. Eles responderam a perguntas sobre sintomas ligados a diferentes quadros (experiências parecidas com psicose, depressão, ansiedade, mania, dissociação e abuso de substâncias) e relataram se tinham, ou já tiveram, sintomas de movimento: movimentos involuntários, problemas de coordenação, nível de atividade física e dificuldades motoras na infância.
Os pesquisadores não encontraram correspondências simples. Não houve, por exemplo, um padrão de movimento que acompanhasse os sintomas de depressão e não os de outro quadro. As relações apareceram em um nível mais amplo. Mais dificuldades motoras em geral, mais movimentos bruscos e involuntários e mais alterações de coordenação estiveram associados a sofrimento, dissociação e medo. Quem relatou mais sintomas de mania e também uso abusivo de substâncias tendia a se dizer mais ativo fisicamente; quem pontuou mais alto em distanciamento, medo e sofrimento relatou menos atividade.
Trata-se de um estudo observacional, baseado em autorrelato, e o desenho não permite afirmar que uma coisa provoca a outra. A amostra não incluiu pessoas com diagnóstico, e os próprios autores pedem estudos com pacientes diagnosticados antes de qualquer aplicação. A interpretação de que alterações de movimento acompanham tanto o adoecimento mental em geral quanto agrupamentos de sintomas é dos autores. O artigo original não estava aberto para leitura completa, e os resultados acima vêm do resumo do BPS Research Digest.