Regulação
CFP leva defesa da RAPS e do cuidado em liberdade ao Uruguai
No XXIV Encontro Nacional de Psicologia do Uruguai, o CFP defendeu a rede pública de atenção psicossocial e tratou da precarização do trabalho na profissão.

O que saiu
O Conselho Federal de Psicologia (CFP) publicou em 2026-09-23 o relato de sua participação no XXIV Encontro Nacional de Psicologia do Uruguai, realizado em 2026-09-11 na cidade de Trinidad, no Departamento de Flores. A presidenta do conselho representou a entidade brasileira e usou o espaço para defender a saúde mental como direito, o fortalecimento das políticas públicas e o cuidado em liberdade, em um movimento de aproximação entre as entidades da Psicologia latino-americana.
O que a entidade diz
O encontro foi organizado pela Coordenadoria de Psicólogos do Uruguai com o tema "A saúde mental nos territórios, um compromisso de todas e todos". A programação teve conferências, mesas-redondas, oficinas e espaços de intercâmbio profissional, com debates sobre saúde mental, ética, violência, infância e adolescência, diversidade, inteligência artificial e as dimensões social e ambiental do sofrimento psíquico. Na mesa de abertura, sobre realidades e experiências latino-americanas, a representante do CFP dividiu o espaço com dirigentes da Federação de Psicólogos da República Argentina, da Sociedade Paraguaia de Psicologia e da própria coordenadoria uruguaia.
Segundo o texto do conselho, a fala partiu da ideia de que território não é só espaço geográfico, mas também as relações, as memórias, as desigualdades e as condições de vida que atravessam a saúde mental. A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que articula os serviços de saúde mental nos territórios, foi apresentada como uma construção central da Reforma Psiquiátrica brasileira e da luta antimanicomial. A posição defendida é que cuidar não pode significar isolar, segregar ou institucionalizar, e que o cuidado precisa acontecer junto às comunidades, sem romper os vínculos das pessoas com seus territórios.
A presidenta também tratou do enfrentamento da violência contra mulheres e crianças, do racismo estrutural e das violações de direitos da população LGBTQIA+. Outro tema foi o trabalho na própria profissão: as condições de trabalho de psicólogas e psicólogos e os efeitos da precarização e da plataformização dos serviços de saúde mental. O texto do CFP não detalha propostas concretas nem acordos firmados no encontro.