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Clínica

Esperança e apoio afetivo se ligam à vontade de viver em paliativos

Estudo cearense com 60 pacientes com câncer em cuidados paliativos achou esperança mantida como fator protetor e uma relação paradoxal com o apoio afetivo.

Por
Redação Novidades Psi
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3 min
Fonte conferida em
Colagem com escritório com armário de gavetas, mesa de trabalho com cadeira de e papel carmim.
Fotografia: Library of Congress, HABS (via Wikimedia Commons), Domínio público. Contexto: National Archives (NARA) (via Wikimedia Commons), Domínio público.

O que saiu

A Agência Bori divulgou um estudo de pesquisadores do Instituto do Câncer do Ceará e da Universidade Estadual do Ceará (UECE) sobre o que se relaciona com a vontade de viver de pacientes com câncer em cuidados paliativos. O artigo saiu na Revista Bioética em 2026-09-25. O achado que chama atenção: a esperança mantida ao longo do tempo apareceu como fator protetor, enquanto o apoio afetivo teve uma relação mais complicada do que se esperaria, com mais apoio no início associado a menos vontade de viver.

O que o estudo diz

O desenho é observacional, com duas entrevistas feitas com três meses de intervalo, entre abril e outubro de 2023. Participaram 60 pacientes do Hospital Haroldo Juaçaba, em Fortaleza (CE), em sua maioria mulheres, com média de 65 anos, baixa escolaridade e renda entre 1 e 2 salários mínimos; 78% estavam sem vínculo de emprego. Para medir a vontade de viver, a equipe criou uma ferramenta simples, a Escala Analógica da Vontade de Viver, em que o próprio paciente dá uma nota de 1 a 10. Também foram avaliados sintomas, tipo de apoio social, saúde mental e nível de esperança.

A vontade de viver se manteve alta em 77% dos pacientes durante o acompanhamento. Idade, tipo de câncer, renda e presença de metástase não tiveram relação significativa com ela, e, nesta amostra e neste período, depressão, ansiedade e estresse também não. O apoio social, por outro lado, pesou em duas dimensões. Mais apoio afetivo na primeira entrevista esteve associado a menor vontade de viver, e pouca interação social positiva na segunda entrevista também. As dimensões material e emocional ou informacional do apoio não mostraram associação.

Sobre a esperança, o quadro também tem duas faces: mantida alta ao longo do tempo, foi protetora; muito elevada logo no início, pode ter peso negativo. As explicações são hipóteses dos autores, não achados testados. Para o apoio afetivo, eles discutem que, com a progressão da doença e a dependência maior, o paciente pode se preocupar em ser um peso emocional, físico ou financeiro para a família. Para a esperança inicial alta, levantam a possibilidade de otimismo irrealista, que se frustra quando a doença avança. A própria pesquisa pede cautela na leitura e sugere estudos qualitativos para entender esses resultados. A amostra é pequena e vem de um único hospital, e o desenho não permite afirmar causa.

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