Ir para o conteúdo
Novidades Psi

Clínica

Relato de caso liga mutismo a tiques de bloqueio vocal na Tourette

Menino de cinco anos com síndrome de Tourette parou quase por completo de falar; equipe portuguesa levanta a hipótese de tiques de bloqueio vocal extremos.

Por
Redação Novidades Psi
Publicado em
Leitura
3 min
Fonte conferida em
Colagem com poltrona de encosto alto desenhada em, sala de estar de 1903 com cadeiras e e papel carmim.
Fotografia: Brooklyn Museum (via Wikimedia Commons), Sem restrições conhecidas. Contexto: Internet Archive Book Images (via Wikimedia Commons), Sem restrições conhecidas.

O que saiu

O Research Digest, da Sociedade Britânica de Psicologia (BPS), resumiu um relato de caso publicado no Journal of Neuropsychology por uma equipe de um centro de desenvolvimento infantil em Portugal. O artigo descreve um menino com síndrome de Tourette que, sem gatilho identificável, deixou de falar quase por completo. Os autores propõem que esse mutismo seja uma forma extrema dos chamados tiques de bloqueio vocal, um sintoma que eles acreditam ser mais raro do que os mais conhecidos da síndrome.

O que o estudo diz

A síndrome de Tourette é um transtorno do neurodesenvolvimento com movimentos involuntários e repetitivos e pelo menos um tique vocal. O texto lembra que falar palavrões de forma involuntária, a imagem mais difundida da síndrome, atinge só cerca de 10% das pessoas com o diagnóstico. O início costuma ocorrer por volta dos cinco anos, e os sintomas oscilam, com pico entre os 12 e os 13 anos.

O menino chegou para avaliação aos cinco anos, com tiques motores e vocais presentes havia dois anos: puxava a camisa, torcia o pescoço e gaguejava de leve. Um mês depois da primeira consulta, passou a quase não falar, com raros momentos em que conseguia dizer alguma palavra. A compreensão da fala e as outras funções cognitivas pareciam preservadas. A equipe descartou mutismo seletivo, em que a pessoa deixa de falar em certos contextos: o menino fazia esforço visível para começar a falar e se frustrava quando não conseguia. Também foram descartados transtorno depressivo maior, catatonia e transtorno de estresse pós-traumático, quadros em que a fala pode diminuir ou sumir.

Ele recebeu risperidona, medicação usada no tratamento da Tourette, e pouco depois voltou a falar, ainda com gagueira. A fonoterapia, que começou mais tarde do que o habitual por causa das restrições da covid-19, foi seguida de melhora acentuada da gagueira. Os tiques de bloqueio vocal costumam aparecer como pausas silenciosas na fala, no início ou no meio de uma frase, e podem incluir gagueira. A hipótese da equipe é que, nesse caso, eles tenham se manifestado por um tempo como uma pausa quase contínua. É um estudo de caso, com amostra de um único paciente, e o relato não permite afirmar o que provocou o mutismo nem o que levou à recuperação.

Leia também

Todas as notícias