Clínica
Aulas de salsa reduzem sintomas depressivos em jovens, indica ensaio
Ensaio randomizado com 121 jovens de Oxford: quem fez aulas de salsa teve queda maior nos sintomas depressivos do que quem ficou na lista de espera.

O que saiu
O BPS Research Digest, publicação da Sociedade Britânica de Psicologia, resumiu em 2026-09-30 um ensaio clínico randomizado publicado na revista Psychological Medicine por pesquisadores da Universidade de Oxford. O estudo testou se um curso de aulas de salsa ajuda jovens de 18 a 24 anos com sintomas depressivos leves a moderadamente graves. O grupo que dançou teve uma queda maior nos sintomas do que o grupo que esperou a vez em uma lista de espera.
O que o estudo diz
A equipe recrutou 121 jovens que viviam em Oxford e arredores, todos com sintomas de depressão relatados por eles mesmos, de leves a moderadamente graves. Por sorteio, cada participante foi para as aulas ou para uma lista de espera do mesmo curso. O curso tinha oito aulas, e quem foi sorteado para dançar precisava completar pelo menos seis. Ao longo das oito semanas do estudo, todos responderam a uma série de questionários. O desfecho principal foi o Patient Health Questionnaire (PHQ), escala de sintomas depressivos usada também na clínica.
Os dois grupos melhoraram até o fim do estudo, mas a melhora do grupo da salsa foi maior, e os autores a descrevem como clinicamente relevante. A pontuação média caiu 2,96 pontos entre quem dançou, contra 0,77 ponto na lista de espera. A gravidade dos sintomas no início não mudou o benefício: houve melhora tanto em quem tinha sintomas leves quanto em quem pontuava na faixa de um provável episódio depressivo maior. Outros questionários indicaram, em comparação com o controle, queda maior na ansiedade social e aumento mais forte na sensação de felicidade no dia a dia.
O próprio resumo aponta limitações. Os participantes sabiam desde o início que a pesquisa envolvia aulas de salsa e escolheram participar, o que seleciona quem já tem interesse pela dança. A amostra era majoritariamente feminina. E o grupo de comparação ficou em lista de espera, não em outra atividade em grupo, de modo que o desenho não separa o efeito da dança do efeito de sair de casa e conviver com outras pessoas. Os autores reconhecem que a salsa não vai agradar a todos os jovens com depressão e defendem que vale estudar uma intervenção no subgrupo que tenderia a escolhê-la.