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Som do nojo distingue repulsa física de repulsa moral, indica estudo

Experimentos com 1.000 gravações de interjeições de nojo mostram que máquina e ouvintes separam, acima do acaso, o nojo de contaminação do nojo moral.

Por
Redação Novidades Psi
Publicado em
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4 min
Fonte conferida em
Colagem com régua transparente sobre uma mesa de, livro aberto com uma fotografia e papel verde sálvia.
Fotografia: Wikimedia Commons, CC0. Contexto: Rijksmuseum (via Wikimedia Commons), CC0.

O que saiu

O BPS Research Digest, serviço de divulgação científica da Sociedade Britânica de Psicologia, publicou em 2026-09-28 um resumo de uma série de experimentos da revista Emotion, liderada por pesquisadores da Universidade de Amsterdã. A pergunta era se o som que a pessoa faz ao sentir nojo (um "eca", um "argh", uma ânsia) carrega informação sobre o tipo de nojo: o físico, ligado a contaminação e doença, chamado de nojo de patógeno, ou o moral, provocado por uma transgressão social. O resultado é que os dois tipos podem ser distinguidos acima do acaso apenas pelas características acústicas.

O que o estudo diz

Os pesquisadores selecionaram vídeos públicos no YouTube a partir de palavras-chave ligadas a nojo físico (desafios com comida repugnante, reações a espinhas sendo espremidas) e a nojo moral (traição descoberta, reações a crimes sexuais contra crianças). Deles extraíram 1.000 trechos de áudio com vocalizações humanas, como interjeições, ânsia e engasgo. Um classificador de inteligência artificial foi treinado para dizer qual tipo de nojo havia provocado cada som. Quando apontou nojo de patógeno, acertou 71% das vezes; quando apontou nojo moral, acertou 61% das vezes. Os autores descrevem a precisão como moderada, mas sempre acima do acaso. Sons de nojo físico tinham pico de tom mais agudo e mais variação de tom.

Como o nojo foi ouvido, em três etapasSérie de experimentos publicada na revista Emotion e resumida em 2026-09-28. 1. Classificador com 1.000 sons. Acertou 71% das vezes ao apontar nojo físico e 61% ao apontar nojo moral. 2. 200 ouvintes, 40 sons. Participantes dos Estados Unidos separaram os dois tipos acima do acaso. 3. 530 avaliadores. O nojo físico pareceu mais negativo e com mais vontade de se afastar do gatilho. Fonte: BPS Research Digest, 2026-09-28.INFOGRÁFICOComo o nojo foi ouvido, em trêsetapasSérie de experimentos publicada na revistaEmotion e resumida em 2026-09-28.1Classificador com 1.000 sonsAcertou 71% das vezes ao apontar nojofísico e 61% ao apontar nojo moral.2200 ouvintes, 40 sonsParticipantes dos Estados Unidossepararam os dois tipos acima doacaso.3530 avaliadoresO nojo físico pareceu mais negativo ecom mais vontade de se afastar dogatilho.Fonte: BPS Research Digest, 2026-09-28.

Na segunda etapa, 200 participantes dos Estados Unidos ouviram 40 dos trechos e tentaram identificar o tipo de nojo. O desempenho geral ficou acima do acaso, mas os ouvintes foram quase três vezes mais propensos a acertar um som de nojo físico do que um de nojo moral. Na terceira, outros 530 participantes avaliaram os sons em negatividade, intensidade, ativação e motivação para evitar o gatilho. As vocalizações de nojo físico foram percebidas como mais negativas e com mais motivação de afastamento, e tinham mais sons de ânsia, mudanças bruscas de tom e começo agudo.

A leitura dos autores, apresentada como interpretação, é que o nojo físico serviria para afastar a ameaça de contaminação e alertar os outros, enquanto o nojo moral funcionaria mais como sinal social de reprovação. A limitação reconhecida é cultural: os ouvintes eram dos Estados Unidos e os áudios vinham, em sua maioria, de pessoas de países ocidentais de língua inglesa. O artigo original não abriu para leitura completa, e os números acima vêm do resumo do BPS Research Digest.

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