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PePsic discute uso de IA na pesquisa e na publicação em Psicologia

No CFP, pesquisadores apontaram riscos da IA para a confiabilidade e a segurança de dados e defenderam declarar o uso dessas ferramentas nos trabalhos.

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Redação Novidades Psi
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3 min
Fonte conferida em
Colagem com lupa ampliando um selo postal, caderno aberto com páginas manuscritas e papel verde sálvia.
Fotografia: Wikimedia Commons, Domínio público. Contexto: FelixArchief, Antuérpia (via Wikimedia Commons), CC0.

O que saiu

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) publicou em 2026-10-02 o relato do seminário Uso e Impacto da Inteligência Artificial no Contexto Editorial Científico, promovido pela Rede de Periódicos de Psicologia (PePsic), rede latino-americana de revistas da área, nos dias 3 e 4 de setembro de 2026, na sede do conselho, em Brasília. O encontro reuniu pesquisadores e editores para discutir como usar ferramentas de inteligência artificial na produção acadêmica sem ferir princípios éticos. Segundo o CFP, a transmissão teve mais de mil e duzentas inscrições de estudantes, docentes, pesquisadores, editores de periódicos e bibliotecários, e a gravação está no canal do conselho no YouTube.

O que a entidade diz

Uma conselheira do CFP lembrou que a IA já aparece em várias etapas da produção científica, da escrita e da tradução à editoração, aos metadados e à divulgação, e defendeu que a discussão saia do usar ou não usar para o como usar com transparência e integridade. Os palestrantes, vindos da Universidade Federal de Pernambuco, da Universidade de São Paulo, de uma revista brasileira de atividade física e saúde e do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), concordaram em um ponto: o que a IA produz não é confiável por si e precisa de verificação humana. Entre os problemas citados estão a falta de transparência, de validação e de reprodutibilidade, as respostas inventadas, a tendência a agradar quem pergunta e a ilusão de competência. Para um dos editores, a elaboração de pareceres na revisão por pares deve continuar humana.

Outro alerta foi a homogeneização do conhecimento. Um doutorando relatou que, ao pedir a um agente de IA que melhorasse um texto da sua tese, a ferramenta apagou referências a autores fora do circuito dominante do seu campo e deixou o texto menos autoral. Sobre segurança de dados, os palestrantes disseram que o mercado de IA, dominado por empresas com soluções proprietárias, não oferece salvaguardas suficientes, e citaram casos de centros de pesquisa brasileiros que perderam dados sensíveis guardados em nuvens de empresas estrangeiras após mudanças de política ou de contrato. Para pesquisas com dados sensíveis, foi recomendado o uso de modelos abertos que rodam no próprio computador, sem envio de dados a terceiros.

O seminário também apresentou recursos públicos do Ibict para compartilhar resultados, dados e códigos de forma aberta, como o BrCris, que reúne publicações, patentes, programas de pós-graduação e grupos de pesquisa. A recomendação central, segundo o CFP, é de transparência: ao publicar um trabalho, informar quais ferramentas de IA foram usadas e com que propósito, revisar o que foi feito com elas e assumir a responsabilidade pelos resultados.

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