Egoístas e generosos distorcem o impacto das próprias escolhas
Nove experimentos com 8.769 adultos indicam que os dois grupos distorcem o efeito de suas escolhas sobre os outros, e a versão egoísta se espalha mais.
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Redação Novidades Psi
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Fotografia: Museu do Dinheiro do Banco Nacional da Bielorrússia (via Wikimedia Commons), Domínio público. Contexto: UBC Library (via Wikimedia Commons), Sem restrições conhecidas.
A Nature Human Behaviour publicou em 1º de outubro de 2026 um artigo de acesso aberto sobre como as pessoas interpretam o efeito incerto das próprias escolhas sobre os outros. Em nove experimentos online pré-registrados, com 8.769 adultos, a maioria moradores dos Estados Unidos, os autores mostram que tanto quem age em benefício próprio quanto quem abre mão de ganho para ajudar outra pessoa distorcem as consequências sociais da decisão, cada grupo numa direção previsível. Só a distorção favorável ao egoísmo se espalhou para outros participantes.
O que o estudo diz
Na tarefa central, cada participante escolhia entre duas opções. A primeira dava 7 pontos a ele e de 1 a 3 pontos a outra pessoa; a segunda dava 5 pontos a ele e de 3 a 5 pontos ao outro. Depois da escolha, o participante estimava quanto o outro tinha recebido em cada opção, com bônus por acertar. Como qualquer valor da faixa era igualmente possível, a estimativa não deveria depender da escolha, mas dependeu. No primeiro experimento, com 981 pessoas (292 classificadas como egoístas, 375 como pró-sociais e 314 numa condição neutra), quem ficou com mais pontos inflou o benefício da própria opção para o outro e diminuiu o da alternativa, descrevendo as duas como parecidas. Quem escolheu ajudar exagerou o benefício social da escolha e, de forma menos consistente, o sacrifício implicado nela.
As distorções apareceram mesmo quando a estimativa vinha antes da decisão e quando a escolha era imposta por sorteio, o que os autores interpretam como sinal de que elas acompanham preferências sociais, e não apenas justificam o que já foi feito. Quando o dinheiro em jogo era do próprio participante, as mesmas faixas não foram tratadas da mesma forma, um duplo padrão que, para os autores, indica que essas distorções não são crenças firmes.
No último experimento, quem viu antes as estimativas de outra pessoa que minimizavam o dano da opção egoísta passou a escolher essa opção com mais frequência; estimativas que exaltavam a opção generosa não mudaram as escolhas. Entre as limitações, os autores apontam que o fenômeno não é universal (menos de 10% dos participantes reproduziram sozinhos o padrão médio do grupo egoísta), que a evidência para o grupo pró-social foi mais irregular, que as tarefas eram abstratas e as amostras eram de falantes de inglês, e que os rótulos egoísta e pró-social descrevem a estrutura das opções, não o motivo de quem escolhe, que pode ser, por exemplo, necessidade financeira.
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