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Egoístas e generosos distorcem o impacto das próprias escolhas

Nove experimentos com 8.769 adultos indicam que os dois grupos distorcem o efeito de suas escolhas sobre os outros, e a versão egoísta se espalha mais.

Por
Redação Novidades Psi
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5 min
Fonte conferida em
Colagem com formulário impresso de uma caderneta, folhinha de parede de 1888 com os dias e papel verde sálvia.
Fotografia: Museu do Dinheiro do Banco Nacional da Bielorrússia (via Wikimedia Commons), Domínio público. Contexto: UBC Library (via Wikimedia Commons), Sem restrições conhecidas.

O que saiu

A Nature Human Behaviour publicou em 1º de outubro de 2026 um artigo de acesso aberto sobre como as pessoas interpretam o efeito incerto das próprias escolhas sobre os outros. Em nove experimentos online pré-registrados, com 8.769 adultos, a maioria moradores dos Estados Unidos, os autores mostram que tanto quem age em benefício próprio quanto quem abre mão de ganho para ajudar outra pessoa distorcem as consequências sociais da decisão, cada grupo numa direção previsível. Só a distorção favorável ao egoísmo se espalhou para outros participantes.

O que o estudo diz

Na tarefa central, cada participante escolhia entre duas opções. A primeira dava 7 pontos a ele e de 1 a 3 pontos a outra pessoa; a segunda dava 5 pontos a ele e de 3 a 5 pontos ao outro. Depois da escolha, o participante estimava quanto o outro tinha recebido em cada opção, com bônus por acertar. Como qualquer valor da faixa era igualmente possível, a estimativa não deveria depender da escolha, mas dependeu. No primeiro experimento, com 981 pessoas (292 classificadas como egoístas, 375 como pró-sociais e 314 numa condição neutra), quem ficou com mais pontos inflou o benefício da própria opção para o outro e diminuiu o da alternativa, descrevendo as duas como parecidas. Quem escolheu ajudar exagerou o benefício social da escolha e, de forma menos consistente, o sacrifício implicado nela.

As distorções apareceram mesmo quando a estimativa vinha antes da decisão e quando a escolha era imposta por sorteio, o que os autores interpretam como sinal de que elas acompanham preferências sociais, e não apenas justificam o que já foi feito. Quando o dinheiro em jogo era do próprio participante, as mesmas faixas não foram tratadas da mesma forma, um duplo padrão que, para os autores, indica que essas distorções não são crenças firmes.

O que os experimentos testaram, em cinco passosNove experimentos online pré-registrados, publicados em 1º de outubro de 2026. 1. Estimativa depois da escolha. No primeiro experimento, 981 adultos escolheram entre ganhar 7 ou 5 pontos, com o ganho do outro incerto. 2. Estimativa antes da escolha. As distorções já apareciam antes de a pessoa decidir. 3. Escolha imposta por sorteio. As estimativas seguiram a preferência que a pessoa mostrava ao escolher livremente, não a opção sorteada. 4. Julgamento de observadores. O padrão de distorção de cada grupo rendeu avaliações de confiança mais favoráveis. 5. Teste de contágio. Entre 849 participantes, só a distorção favorável ao egoísmo mudou estimativas e escolhas de quem a viu. Fonte: Nature Human Behaviour, 2026-10-01.INFOGRÁFICOO que os experimentos testaram, emcinco passosNove experimentos online pré-registrados,publicados em 1º de outubro de 2026.1Estimativa depois da escolhaNo primeiro experimento, 981 adultosescolheram entre ganhar 7 ou 5 pontos,com o ganho do outro incerto.2Estimativa antes da escolhaAs distorções já apareciam antes de apessoa decidir.3Escolha imposta por sorteioAs estimativas seguiram a preferênciaque a pessoa mostrava ao escolherlivremente, não a opção sorteada.4Julgamento de observadoresO padrão de distorção de cada gruporendeu avaliações de confiança maisfavoráveis.5Teste de contágioEntre 849 participantes, só adistorção favorável ao egoísmo mudouestimativas e escolhas de quem a viu.Fonte: Nature Human Behaviour, 2026-10-01.

No último experimento, quem viu antes as estimativas de outra pessoa que minimizavam o dano da opção egoísta passou a escolher essa opção com mais frequência; estimativas que exaltavam a opção generosa não mudaram as escolhas. Entre as limitações, os autores apontam que o fenômeno não é universal (menos de 10% dos participantes reproduziram sozinhos o padrão médio do grupo egoísta), que a evidência para o grupo pró-social foi mais irregular, que as tarefas eram abstratas e as amostras eram de falantes de inglês, e que os rótulos egoísta e pró-social descrevem a estrutura das opções, não o motivo de quem escolhe, que pode ser, por exemplo, necessidade financeira.

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