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Boletim do CFP propõe psicologia anticolonial e interseccional

Nova edição do boletim da Comissão de Direitos Humanos do CFP reúne textos sobre violência de gênero, povos indígenas, IA e migração.

Por
Redação Novidades Psi
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3 min
Fonte conferida em
Colagem com pasta de couro com fecho, caderno aberto com páginas manuscritas e papel tinta.
Fotografia: San Diego Air and Space Museum Archives (via Wikimedia Commons), Domínio público. Contexto: FelixArchief, Antuérpia (via Wikimedia Commons), CC0.

O que saiu

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) divulgou em 2 de outubro de 2026 a primeira edição do volume II do boletim Universais e Interdependentes, publicação da sua Comissão de Direitos Humanos (CDH). A edição, datada de agosto de 2026, foi apresentada oficialmente no evento que celebrou os 30 anos do Conselho Regional de Psicologia de Mato Grosso do Sul e agora está nas plataformas digitais do conselho. A proposta é uma atuação anticolonial, interseccional e orientada pelo Bem Viver.

O que a entidade diz

A apresentação, assinada pela presidência do CFP e pelas conselheiras que coordenam a CDH, parte de uma tese: o sofrimento psíquico não se separa das condições concretas de vida nem das opressões históricas. Por isso o boletim chama a categoria a um papel ativo na promoção da justiça social e na defesa das políticas públicas, do SUS e do SUAS, o Sistema Único de Assistência Social.

O artigo sobre mulheridades trata o feminicídio como a expressão máxima da violência machista e defende uma prática psicológica interseccional, isto é, que leve em conta ao mesmo tempo gênero, raça, território e deficiência. O conceito de mulheridades serve para recusar a ideia de uma experiência feminina única e abarcar mulheres negras, indígenas, periféricas, LBTs e com deficiência. O texto retoma o 1º Seminário Nacional Psicologia e Mulheridades, realizado em Cuiabá (MT).

O artigo sobre letramento racial indígena discute os estereótipos enfrentados por estudantes e profissionais indígenas, questiona a negação da identidade com base em aculturações forçadas, como usar celular ou morar na cidade, e afirma que só os próprios povos indígenas podem definir sua identidade. Outro texto, sobre o matriarcado afro-brasileiro, critica o epistemicídio e a hegemonia do modelo biomédico colonial e apresenta parteiras e Yalorixás como gestoras de tecnologias de cuidado comunitário.

Sobre inteligência artificial, o boletim pede um posicionamento crítico da profissão diante dos agentes digitais e das IAs generativas, com alerta para a concentração de poder nas grandes empresas de tecnologia, o risco de apagamento da diversidade e os impactos sobre o sigilo e a autonomia profissional. O último artigo analisa o deslocamento forçado de povos indígenas, em especial o povo Warao, vindo da Venezuela, critica a inadequação dos serviços públicos brasileiros e propõe o Buen Vivir como alternativa.

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