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Clínica

Editorial da Nature Mental Health pede cuidado além do psiquiatra

Editorial diz que a falta de psiquiatras exige equipes multiprofissionais, telessaúde e ações comunitárias, e não um cuidado sem profissionais.

Por
Redação Novidades Psi
Publicado em
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3 min
Fonte conferida em
Colagem com cadeira de escritório de madeira sobre, escritório antigo com mesas, cadeiras e e papel carmim.
Fotografia: National Park Service (via Wikimedia Commons), Domínio público. Contexto: University of Colorado Boulder Libraries (via DPLA) (via Wikimedia Commons), Domínio público.

O que saiu

A Nature Mental Health publicou em 2026-10-06 um editorial sobre o futuro da força de trabalho em saúde mental. O texto, que é uma peça de opinião da revista e não apresenta dados próprios, parte de um diagnóstico: a necessidade de cuidado cresce mais rápido que a oferta de psiquiatras, e o futuro do atendimento vai depender de ampliar e repensar quem cuida, para além do modelo centrado no médico. O editorial também apresenta três comentários publicados na edição de outubro da revista, cada um com uma proposta para ampliar essa força de trabalho.

O que o editorial diz

O ponto de partida é a escassez. Citando um relatório recente da Organização Mundial da Saúde, o editorial afirma que, em países de alta renda, um em cada três médicos está perto da idade de se aposentar, e que na psiquiatria mais da metade dos profissionais em atividade tem mais de 55 anos. Nos Estados Unidos, segundo o texto, cerca de 40% da população vive em áreas classificadas como de escassez de profissionais de saúde mental, e as projeções indicam que a oferta de psiquiatras pode ficar estagnada ou cair levemente na próxima década, enquanto a demanda segue crescendo.

A revista lembra que a pandemia de covid-19 mostrou a viabilidade do atendimento em saúde mental por telessaúde, que passou a responder por quase um terço de todo o uso de telessaúde. Enfermeiros com prática avançada e assistentes médicos, maioria entre os profissionais da telessaúde, ganharam papel central. O editorial ressalva que a telessaúde tem limites, sobretudo em transtornos psiquiátricos graves e em comorbidades complexas.

Os três comentários da edição seguem caminhos diferentes. O primeiro propõe intervenções baseadas na natureza e a prescrição social, como hortas comunitárias e atividades em grupo ao ar livre, voltadas ao bem-estar ligado a sentido, propósito e conexão; o editorial observa que essas ações não substituem o tratamento clínico, mas podem fortalecer a resiliência e reduzir o isolamento. O segundo defende a psiquiatria intervencionista, que reúne procedimentos como a estimulação magnética transcraniana, a cetamina e a eletroconvulsoterapia, como forma de ampliar a especialidade e atrair residentes. O terceiro propõe incluir farmacêuticos com certificação em psiquiatria nas equipes, para revisar medicações e fazer psicoeducação.

A conclusão é que o desafio não está em trocar uma profissão por outra, e sim em montar modelos colaborativos, com ferramentas digitais, equipes multiprofissionais e ações comunitárias trabalhando juntas. Para isso, o texto prevê a necessidade de investimento em infraestrutura, pessoal e políticas.

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