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Anauralia: o que a pesquisa já sabe sobre a mente que não imagina sons

Revisão de estudos da Nova Zelândia estima que 0,77% das pessoas não imaginam sons e não acha custos óbvios nisso, com associações de fracas a moderadas.

Por
Redação Novidades Psi
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3 min
Fonte conferida em
Colagem com balança de dois pratos sobre uma mesa, folhinha de parede de 1888 com os dias e papel verde sálvia.
Fotografia: Wikimedia Commons, CC0. Contexto: UBC Library (via Wikimedia Commons), Sem restrições conhecidas.

O que saiu

O BPS Research Digest, publicação da Sociedade Britânica de Psicologia, divulgou em 2026-10-08 um resumo de um artigo de revisão sobre a anauralia, a incapacidade de imaginar sons, também descrita como mente silenciosa. O artigo, de uma equipe da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, saiu na revista Auditory Perception & Cognition e reúne resultados de vários estudos recentes do próprio grupo. A leitura geral dos autores é que a falta de imagem auditiva parece ter alguns efeitos positivos e nenhum custo evidente, com ressalvas importantes sobre o tamanho das associações.

O que o estudo diz

No primeiro conjunto de dados, mais de 30.000 participantes de uma amostra nacionalmente representativa da Nova Zelândia responderam a perguntas sobre imagem mental auditiva e visual. Nela, 0,77% foram classificados como anaurálicos, e uma proporção muito parecida relatou não ter imagem visual, a chamada afantasia. Cerca de metade de cada grupo tinha também a outra condição.

Em outro estudo, com pessoas com afantasia, com anauralia e controles, quem tinha anauralia relatou mais autocontrole e mais conscienciosidade do que pessoas com imagem auditiva típica. A afantasia apareceu associada a outro conjunto de traços: mais perfeccionismo e mais sofrimento psicológico, menos bem-estar e autoestima mais baixa. A equipe separa três tipos de imagem auditiva (imaginar um som, ouvir a própria voz interior e os sons percebidos em sonhos) e criou uma medida para cada um.

Com essas medidas vieram achados que contrariam expectativas. Já se propôs que o atraso no desenvolvimento da fala interior seja um traço central do TDAH, mas pessoas sem voz interior não diferiram das demais em hiperatividade, e quem relatou não ter nenhuma imagem auditiva relatou menos desatenção e hiperatividade. Quem não tinha nem imagem de sons nem voz interior pontuou mais alto numa medida de mindfulness, o que não ocorreu entre quem não tinha imagem visual. O grupo também não encontrou sinais de menor criatividade, de pior memória de trabalho verbal ou de memória autobiográfica reduzida ligados à anauralia; a memória autobiográfica foi menor apenas entre quem não tinha imagem visual.

Os próprios autores apontam a principal limitação: os achados são estatisticamente significativos, mas a força das associações vai de fraca a moderada, e em cada uma delas há participantes que não seguem o padrão. Isso impede prever o efeito para uma pessoa específica. Os resultados são associações medidas por questionários de autorrelato, um desenho que não permite afirmar causa. O resumo do BPS não informa o tamanho das amostras dos estudos posteriores ao levantamento nacional, e o artigo original não estava aberto para leitura.

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