Pesquisa
Natureza e imagem corporal: estudo ouve jovens mulheres na Itália
Estudo qualitativo com 19 mulheres italianas descreve como o contato com a natureza pode aproximar o corpo da experiência e afastá-lo da aparência.

O que saiu
O BPS Research Digest, serviço de divulgação científica da British Psychological Society, publicou em 2026-10-09 o resumo de um estudo qualitativo sobre como o contato com a natureza pode favorecer uma imagem corporal positiva. A pesquisa saiu no periódico Psychology and Psychotherapy: Theory, Research and Practice e ouviu 19 mulheres italianas de 20 a 35 anos, todas com o hábito, ao menos ocasional, de passar tempo em ambientes naturais. A pergunta do trabalho não era se a natureza melhora a relação com o corpo, e sim por quais caminhos psicológicos isso poderia acontecer.
O que o estudo diz
As participantes foram reunidas em seis grupos focais, nos quais falaram sobre a própria imagem corporal e sobre como certos ambientes e experiências mudavam a forma de sentir o corpo. As conversas foram gravadas e examinadas por análise temática reflexiva, um método qualitativo que procura padrões de sentido compartilhados entre os relatos. A equipe chegou a três temas.
O primeiro tema é a conexão com o corpo: a calma dos ambientes naturais facilitaria perceber sensações internas, e atividades como caminhar, nadar ou fazer trilha deslocariam a atenção para aquilo que o corpo consegue fazer. O segundo é a mudança de foco da aparência para a experiência. Longe da cidade, as mulheres disseram se sentir menos expostas ao julgamento alheio e menos inclinadas a vigiar ou comparar a própria aparência. Isso dependia do lugar: praias cheias continuavam a despertar comparação e constrangimento. O terceiro tema é a reconexão consigo mesma, com espaço para elaborar pensamentos e emoções e mais liberdade diante das expectativas sociais, o que, segundo os autores, poderia apoiar a autoaceitação.
Os pesquisadores interpretam os achados com a ideia de corporificação positiva (viver o corpo como parte de si, e não como objeto a ser avaliado) e com a teoria da auto-objetificação: ao dar uma pausa do olhar do outro, a natureza poderia reduzir a tendência de observar o próprio corpo de fora. São hipóteses. O próprio texto do BPS lembra que o estudo aponta mecanismos possíveis e não permite dizer que a exposição à natureza melhore a imagem corporal, o que exigiria outros desenhos de pesquisa. A amostra é pequena e formada só por mulheres brancas e cisgênero, o que limita a generalização.