Pesquisa
Revisar partidas rende mais que só jogar, aponta estudo de xadrez
Estudo com 44.213 jogadores on-line associa cada hora de prática deliberada a ganho de 3,11 pontos no rating, contra 0,86 por hora de partida.

O que saiu
O BPS Research Digest, serviço de divulgação científica da Sociedade Britânica de Psicologia, resumiu em 8 de outubro de 2026 um estudo publicado na Psychological Science sobre que tipo de prática melhora uma habilidade. A pesquisa acompanhou uma amostra de 44.213 participantes, jogadores de xadrez de vários países, a partir dos dados de uma plataforma de partidas on-line, e comparou dois usos do tempo: jogar o máximo possível ou dedicar parte das horas a atividades de prática deliberada, isto é, treino dirigido em vez de partidas. A pergunta é antiga, e nos últimos anos alguns pesquisadores passaram a dizer que o peso da prática deliberada na formação de especialistas tinha sido exagerado.
O que o estudo diz
O desenho é longitudinal e observacional. Todos os participantes já tinham uma classificação de habilidade estabelecida na modalidade de partidas rápidas (o rating) e ficaram ativos por pelo menos seis meses. A equipe cruzou a variação do rating nesse período com as horas gastas em partidas e em três tipos de prática: revisar a própria partida com uma ferramenta que avalia cada lance e aponta a melhor jogada, assistir a videoaulas de estratégia e resolver problemas táticos.
Cada hora de prática deliberada esteve associada a uma melhora de 3,11 pontos no rating, contra 0,86 ponto por hora de jogo. Entre os três tipos de prática, a revisão de partidas e as videoaulas se associaram a ganhos bem maiores; os problemas táticos tiveram efeito parecido com o de jogar.
Apesar disso, os jogadores passaram só cerca de 10% do tempo na plataforma em prática; o resto foi jogo. O padrão variou com o nível: jogadores de nível especialista dedicaram 14% do tempo à revisão de partidas, contra 4% dos iniciantes. Os autores levantam a hipótese de que essa diferença de estratégia ajude a explicar um fenômeno conhecido, o de que quem começa melhor tende a progredir mais rápido, sem recorrer a diferenças de talento. O próprio texto lembra que outros fatores, como a motivação que nasce de progredir depressa, podem pesar. Como o estudo é observacional, não permite afirmar que a prática causou a melhora, e ele se limita ao xadrez: não se sabe quanto o resultado vale para outras atividades.