Clínica
Aplicativo da USP para depressão e ansiedade chega a 18 UBS de SP
O Conemo, app com técnicas de TCC testado em ensaios clínicos, foi expandido para todas as 18 UBS de Indaiatuba, no interior de São Paulo.

O que saiu
O Jornal da USP publicou em 2026-10-14 uma reportagem sobre o Conemo (Controle Emocional), plataforma desenvolvida por pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP que combina rastreamento em saúde mental com um aplicativo de celular baseado em técnicas da terapia cognitivo-comportamental (TCC). Depois de um projeto piloto iniciado em 2024, a ferramenta foi expandida para todas as 18 Unidades Básicas de Saúde (UBS) de Indaiatuba, no interior paulista, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde e o Centro Universitário Max Planck (UniMAX).
O que o estudo diz
No aplicativo, o paciente percorre jornadas interativas organizadas em sessões, com textos, áudios e vídeos sobre atividades prazerosas, conhecimento das emoções, manejo da ansiedade e promoção do bem-estar. As equipes das UBS acompanham os casos por um painel de monitoramento do Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM). A entrada é feita por um QR Code afixado nas unidades, que dá acesso a questionários validados de depressão e ansiedade. Se a pessoa relata pensamentos de morte nas duas semanas anteriores, recebe perguntas sobre risco de suicídio, e, conforme o risco, a UBS é avisada na hora.
A base da plataforma são ensaios clínicos controlados feitos entre 2016 e 2018 em São Paulo e em Lima, no Peru, com pacientes com sintomas depressivos e hipertensão ou diabetes. Foram 610 participantes, que usaram o app por seis semanas. Segundo a reportagem, quem usou o aplicativo teve redução mais rápida dos sintomas de depressão do que o grupo controle, resultado publicado em 2021 no periódico JAMA. No Brasil, a intervenção foi oferecida por auxiliares de enfermagem das equipes de saúde da família, num desenho pragmático, próximo das condições reais de atendimento. Os resultados no Peru foram melhores que em São Paulo, e o coordenador do projeto atribui a diferença ao perfil da amostra peruana, com escolaridade maior.
Da fase de implantação, a reportagem cita como resultados iniciais o interesse dos usuários e um rastreamento de sintomas que permite o monitoramento pelas equipes, sem números de eficácia nas UBS. O programa é gratuito e restrito a moradores de Indaiatuba com 18 anos ou mais, cadastrados nas unidades, com sintomas significativos de depressão ou ansiedade e sem risco de suicídio moderado ou alto.