Pesquisa
Mulheres pontuam mais em inteligência emocional, e a diferença encolhe
Estudo com mais de 600 mil pessoas em 76 países encontra vantagem feminina, menor em crianças e em queda ao longo de quase três décadas.

O que saiu
O The Conversation Brasil publicou em 2026-10-13 a tradução de um artigo em que pesquisadores da Universidade de Limerick e da Universidade de Zurique apresentam um estudo próprio sobre diferenças entre homens e mulheres em inteligência emocional, definida como a capacidade de reconhecer, compreender e regular as emoções em si e nos outros. O trabalho reuniu pesquisas feitas de 1995 a 2023, em 76 países, com mais de 600 mil pessoas. Em média, as mulheres pontuaram mais alto. Os autores argumentam que essa vantagem, quando tratada como algo natural e não como habilidade, vira uma obrigação sem remuneração nem reconhecimento.
O que o estudo diz
É um estudo observacional: compara grupos a partir de dados já coletados, sem intervenção. Ao separar os componentes da inteligência emocional, os autores viram que a vantagem feminina se concentra na parte voltada aos sentimentos dos outros, ou seja, perceber o que outra pessoa sente, entender por quê e ajudá-la a lidar com isso. Eles insistem que se trata de médias calculadas sobre centenas de milhares de pessoas, e não de previsões sobre um indivíduo: muitos homens são muito bons nisso, e muitas mulheres não são.
Dois padrões dos dados chamam atenção. A vantagem feminina é muito menor em crianças do que em adultos, e a diferença vem diminuindo ao longo das quase três décadas cobertas. Os autores dizem que não é possível descartar fatores biológicos ou hormonais e reconhecem que os dados não permitem identificar as razões exatas da diferença. A leitura deles, apresentada como compatível com os dados e não como achado, é que se trata de algo moldado pela prática. Para sustentar a hipótese, citam outras pesquisas: pais usam um vocabulário emocional mais amplo com as filhas e as incentivam mais a refletir sobre os sentimentos e expressá-los, enquanto os meninos são mais orientados a suprimi-los. Citam também uma metanálise de 2019, com 58 estudos, segundo a qual a inteligência emocional pode ser treinada, sem que o gênero pareça alterar a eficácia do treino.
O texto é de divulgação, escrito pelos próprios autores, e não traz o nome do periódico nem os tamanhos de efeito, o que limita a leitura da magnitude da diferença. A parte final é proposta, não resultado: os autores defendem que empregadores nomeiem e recompensem esse trabalho emocional em avaliações e promoções, e que invistam no desenvolvimento dessas habilidades em todos os funcionários. Eles declaram não ter vínculo com empresas que se beneficiem do artigo.