Regulação
Riscos psicossociais no trabalho: lições de nove casos europeus
Relatório da agência europeia de saúde no trabalho, divulgado pela EFPA, reúne lições de prevenção de riscos psicossociais em cinco países.

O que saiu
A Federação Europeia de Associações de Psicólogos (EFPA) divulgou em 2026-10-15 um relatório da Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho (EU-OSHA) sobre a prevenção de riscos psicossociais em cinco países: Áustria, Bélgica, Dinamarca, Estônia e Espanha. O documento, publicado pela agência em agosto, compara estratégias, leis e iniciativas de setores e de empresas, e aponta desafios, fatores de sucesso e recomendações de política. A EFPA é parceira da campanha europeia Locais de Trabalho Saudáveis de 2026 a 2028. O resumo abaixo vem do texto integral do relatório, que a página da EFPA indica no site da agência.
O que o relatório diz
O trabalho reúne nove estudos de caso: seis de alcance setorial ou nacional (construção, indústria da madeira, hotelaria, bancos, indústria e inspeção do trabalho) e três de empresas que criaram programas próprios. A coleta combinou pesquisa documental e entrevistas semiestruturadas com gestores de programas, sindicatos, especialistas em saúde ocupacional e representantes de trabalhadores, feitas por especialistas de cada país. É um desenho qualitativo, e os casos foram escolhidos por serem bem-sucedidos ou inovadores, o que limita a generalização.
Segundo o relatório, a lei teve papel decisivo para tirar a prevenção do campo voluntário. Na Áustria, o empregador é obrigado a avaliar a carga mental como avalia os riscos físicos; na Bélgica, estresse, esgotamento, violência e assédio são definidos em lei como riscos ocupacionais; na Espanha, o direito à desconexão digital entrou na legislação e depois em acordo coletivo do setor bancário. A digitalização, as reestruturações e a pandemia aparecem como gatilhos que puseram o tema na agenda.
Entre os fatores de sucesso, o documento destaca o diálogo entre empregadores e sindicatos, a participação dos trabalhadores no desenho das medidas, o envolvimento ativo das chefias, a integração da prevenção às políticas de saúde ocupacional e de recursos humanos e o uso de instrumentos validados de avaliação de risco. Entre os obstáculos, estão o estigma sobre saúde mental, a resistência de gerências intermediárias, a pouca estrutura das pequenas empresas e a dependência de projetos com prazo e verba limitados. Os próprios autores reconhecem uma lacuna central: a coleta de dados e a avaliação de impacto costumavam ser ausentes ou informais, e só alguns casos mediram de forma quantitativa a evolução do bem-estar e da saúde dos trabalhadores.