Ir para o conteúdo
Novidades Psi

Regulação

Riscos psicossociais no trabalho: lições de nove casos europeus

Relatório da agência europeia de saúde no trabalho, divulgado pela EFPA, reúne lições de prevenção de riscos psicossociais em cinco países.

Por
Redação Novidades Psi
Publicado em
Leitura
3 min
Fonte conferida em
Colagem com mesa de trabalho com cadeira de, escritório com armário de gavetas e papel tinta.
Fotografia: National Archives (NARA) (via Wikimedia Commons), Domínio público. Contexto: Library of Congress, HABS (via Wikimedia Commons), Domínio público.

O que saiu

A Federação Europeia de Associações de Psicólogos (EFPA) divulgou em 2026-10-15 um relatório da Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho (EU-OSHA) sobre a prevenção de riscos psicossociais em cinco países: Áustria, Bélgica, Dinamarca, Estônia e Espanha. O documento, publicado pela agência em agosto, compara estratégias, leis e iniciativas de setores e de empresas, e aponta desafios, fatores de sucesso e recomendações de política. A EFPA é parceira da campanha europeia Locais de Trabalho Saudáveis de 2026 a 2028. O resumo abaixo vem do texto integral do relatório, que a página da EFPA indica no site da agência.

O que o relatório diz

O trabalho reúne nove estudos de caso: seis de alcance setorial ou nacional (construção, indústria da madeira, hotelaria, bancos, indústria e inspeção do trabalho) e três de empresas que criaram programas próprios. A coleta combinou pesquisa documental e entrevistas semiestruturadas com gestores de programas, sindicatos, especialistas em saúde ocupacional e representantes de trabalhadores, feitas por especialistas de cada país. É um desenho qualitativo, e os casos foram escolhidos por serem bem-sucedidos ou inovadores, o que limita a generalização.

Segundo o relatório, a lei teve papel decisivo para tirar a prevenção do campo voluntário. Na Áustria, o empregador é obrigado a avaliar a carga mental como avalia os riscos físicos; na Bélgica, estresse, esgotamento, violência e assédio são definidos em lei como riscos ocupacionais; na Espanha, o direito à desconexão digital entrou na legislação e depois em acordo coletivo do setor bancário. A digitalização, as reestruturações e a pandemia aparecem como gatilhos que puseram o tema na agenda.

Entre os fatores de sucesso, o documento destaca o diálogo entre empregadores e sindicatos, a participação dos trabalhadores no desenho das medidas, o envolvimento ativo das chefias, a integração da prevenção às políticas de saúde ocupacional e de recursos humanos e o uso de instrumentos validados de avaliação de risco. Entre os obstáculos, estão o estigma sobre saúde mental, a resistência de gerências intermediárias, a pouca estrutura das pequenas empresas e a dependência de projetos com prazo e verba limitados. Os próprios autores reconhecem uma lacuna central: a coleta de dados e a avaliação de impacto costumavam ser ausentes ou informais, e só alguns casos mediram de forma quantitativa a evolução do bem-estar e da saúde dos trabalhadores.

Leia também

Todas as notícias