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Paracetamol diminuiu o medo em experimento com realidade virtual

Em experimento com 260 pessoas, quem tomou paracetamol relatou menos medo e agiu com menos cautela numa prancha virtual no alto de um arranha-céu.

Por
Redação Novidades Psi
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4 min
Fonte conferida em
Colagem com régua transparente sobre uma mesa de, livro aberto com uma fotografia e papel verde sálvia.
Fotografia: Wikimedia Commons, CC0. Contexto: Rijksmuseum (via Wikimedia Commons), CC0.

O que saiu

O BPS Research Digest, da Sociedade Britânica de Psicologia, publicou em 2026-10-14, e divulgou nas redes em 2026-10-16, o resumo de um estudo da revista Emotion que testou se o paracetamol (acetaminofeno) também atenua o medo. Segundo os autores, o analgésico age diretamente no cérebro e no sistema nervoso para reduzir a percepção da dor. Estudos anteriores já tinham associado o remédio a menos dor diante da rejeição social e a menor reatividade emocional. O novo trabalho, de pesquisadores da Loyola University e da Universidade de Guelph, sugere que, ao atenuar o medo, ele também pode tornar as decisões mais arriscadas.

O que o estudo diz

Foi um experimento de laboratório com 260 participantes, que receberam 1.000 mg de paracetamol ou um comprimido de placebo. Depois, com um monitor de frequência cardíaca, usaram óculos de realidade virtual para jogar um jogo comercial: subiam de elevador a um arranha-céu virtual de 80 andares e encontravam uma prancha saindo da borda do telhado. A instrução era andar o mais longe possível e voltar. O medo foi avaliado em três momentos, e, para tornar a experiência mais real, os participantes caminhavam sobre uma prancha física de dois metros, com a mesma largura aparente.

A tarefa assustou. A frequência cardíaca subiu em média 34 batimentos por minuto, os participantes levaram cerca de 15 segundos para pôr os dois pés na prancha e, sobre ela, andaram a menos de 4% da velocidade normal de caminhada.

Na comparação com o placebo, quem tomou paracetamol relatou menos medo no momento em que parou de andar, levou 17% menos tempo para subir na prancha, andou 22% mais rápido sobre ela e teve um aumento 12% menor da frequência cardíaca. Para os autores, o resultado sugere que o analgésico pode deixar as pessoas menos cautelosas em situações que dão medo.

Paracetamol contra placebo na prancha virtualDiferença do grupo que tomou 1.000 mg de paracetamol em relação ao grupo placebo. 1. Tempo para subir na prancha (17% menos) 2. Velocidade sobre a prancha (22% mais rápido) 3. Aumento da frequência cardíaca (12% menor) Fonte: BPS Research Digest, 2026-10-14, sobre estudo publicado na Emotion com 260 participantes.INFOGRÁFICOParacetamol contra placebo naprancha virtualDiferença do grupo que tomou 1.000 mg deparacetamol em relação ao grupo placebo.Tempo para subir na prancha17% menosVelocidade sobre a prancha22% mais rápidoAumento da frequência cardíaca12% menorFonte: BPS Research Digest, 2026-10-14, sobre estudopublicado na Emotion com 260 participantes.

As aplicações que os autores levantam são hipóteses, não achados. De um lado, o remédio poderia favorecer escolhas arriscadas, como dirigir acima da velocidade. De outro, eles sugerem investigar o paracetamol como complemento a tratamentos de curto prazo para medo excessivo, como a terapia de exposição para fobias. A ressalva vem dos próprios pesquisadores: eles dizem que não recomendam esse uso, que aplicações assim exigiriam ensaios clínicos cuidadosos e lembram que o consumo crônico do remédio já foi associado a dano no fígado. O estudo usou dose única, numa tarefa de laboratório, e não avaliou nenhum tratamento.

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