Clínica
Por que a atração vira repulsa de repente: as hipóteses da psicologia
Análise no The Conversation Brasil reúne quatro explicações para o chamado eca, da evolução ao apego evitativo, e aponta as diferenças individuais.

O que saiu
O The Conversation Brasil publicou em 2026-10-16 a tradução de um artigo de análise assinado por uma professora de psicologia da Universidade de Coventry, no Reino Unido, sobre o chamado eca (ick, no original em inglês): a passagem repentina da atração para a repulsa por alguém de quem se gostava, muitas vezes disparada por um detalhe, como um sapato ou o barulho ao mastigar. O fenômeno virou assunto em redes sociais, onde solteiros e casais trocam relatos sobre os gatilhos que os fizeram perder o interesse. O texto não apresenta dados novos: reúne explicações que a psicologia oferece para a reação.
O que o artigo diz
A primeira explicação liga o eca ao nojo sexual, emoção que seria moldada pela pressão seletiva da evolução: a ideia de que as mulheres estariam programadas para escolher parceiros com quem possam se reproduzir com sucesso, e de que a repulsa serviria para filtrar as escolhas. A própria autora aponta as limitações dessa teoria. Nem todas as mulheres namoram com o objetivo de ter filhos, a hipótese não explica por que os homens também sentem repulsa, ignora as diferenças individuais sobre a função de um relacionamento e não faz sentido para casais do mesmo sexo.
A segunda explicação vem da psicologia dos relacionamentos. Pessoas com estilo de apego evitativo tendem a se esquivar da proximidade emocional, e namorar pode gerar ansiedade nelas. Nessa leitura, a repulsa funcionaria como mecanismo de defesa, um jeito de criar distância e manter a independência, que para essas pessoas é um espaço seguro.
A terceira passa pela história de cada um. Comportamentos ou maneirismos que lembram parceiros anteriores podem ficar associados à repulsa, e o condicionamento clássico ajuda a entender o processo: quem aprendeu a associar um hábito a algo nojento tende a sentir repulsa ao ver o hábito em outra pessoa e, por fim, pela pessoa que o tem. A quarta lembra sensibilidades específicas, como a misofonia, em que a tolerância a certos sons diminui e o barulho de alguém mastigando passa a irritar.
A conclusão da autora é que a resposta não é simples: todas essas hipóteses têm méritos e limitações, e o que parece decidir são as diferenças individuais. O texto informa que ela não tem vínculo com empresas que se beneficiem da publicação.