O BPS Research Digest, da Sociedade Britânica de Psicologia, resumiu em 2026-10-16 um artigo da revista Personality and Social Psychology Bulletin sobre o ghosting, o hábito de parar de responder a alguém sem dar explicação. A equipe, da Universidade da Califórnia em Berkeley, fez três experimentos para comparar o que sentem as duas pontas da situação: quem foi ignorado e quem deixou de responder. O resultado central: quem some tende a se sentir pior do que o outro lado imagina.
O que o estudo diz
Como não há consenso sobre o termo, os pesquisadores adotaram uma definição de trabalho: ghosting é a falta de resposta sem explicação em que pelo menos uma das pessoas acredita que ela própria ou a outra talvez nunca mais responda. No primeiro experimento, 195 adultos dos Estados Unidos lembraram uma vez em que foram ignorados, ou em que ignoraram alguém que não era da família nem amigo próximo, e responderam a um questionário online sobre o que sentiram e o que imaginavam que o outro sentiu. Quem sumiu acertou, em linhas gerais, o quanto o outro se sentiu mal. Já as pessoas ignoradas subestimaram a culpa e a tristeza de quem sumiu, o desejo dessa pessoa de encerrar o contato e o alívio que ela sentiu depois.
No segundo experimento, um novo grupo de 601 pessoas imaginou situações de ghosting, e os participantes disseram se sentir pior ao se imaginar ignorando um amigo do que ao se imaginar como o amigo ignorado. O terceiro foi o mais perto de sortear os papéis que os autores consideram eticamente possível: 458 participantes foram pareados para uma conversa online de apresentação e depois escolhiam entre um segundo encontro marcado com a mesma pessoa ou pular, sem avisar o outro, que apenas ficava esperando.
Nesse terceiro teste, quem ficou esperando classificou a ausência como ghosting com mais frequência do que quem faltou, sinal, para os autores, de que o fenômeno é difícil de definir de forma objetiva. Quando quem faltou reconhecia a própria decisão como ghosting, sentia-se pior do que o outro lado previa, como nos experimentos anteriores. Há limitações a considerar: o primeiro estudo depende da lembrança e do autorrelato, o segundo trabalha com cenários imaginados, e o resumo só informa a origem da amostra do primeiro.
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