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Quem some sem explicação sofre mais do que o outro lado imagina

Três experimentos indicam que quem para de responder sem aviso sente mais culpa e tristeza do que a pessoa ignorada prevê.

Por
Redação Novidades Psi
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5 min
Fonte conferida em
Colagem com balança de dois pratos sobre uma mesa, livro aberto com uma fotografia e papel verde sálvia.
Fotografia: Wikimedia Commons, CC0. Contexto: Rijksmuseum (via Wikimedia Commons), CC0.

O que saiu

O BPS Research Digest, da Sociedade Britânica de Psicologia, resumiu em 2026-10-16 um artigo da revista Personality and Social Psychology Bulletin sobre o ghosting, o hábito de parar de responder a alguém sem dar explicação. A equipe, da Universidade da Califórnia em Berkeley, fez três experimentos para comparar o que sentem as duas pontas da situação: quem foi ignorado e quem deixou de responder. O resultado central: quem some tende a se sentir pior do que o outro lado imagina.

O que o estudo diz

Como não há consenso sobre o termo, os pesquisadores adotaram uma definição de trabalho: ghosting é a falta de resposta sem explicação em que pelo menos uma das pessoas acredita que ela própria ou a outra talvez nunca mais responda. No primeiro experimento, 195 adultos dos Estados Unidos lembraram uma vez em que foram ignorados, ou em que ignoraram alguém que não era da família nem amigo próximo, e responderam a um questionário online sobre o que sentiram e o que imaginavam que o outro sentiu. Quem sumiu acertou, em linhas gerais, o quanto o outro se sentiu mal. Já as pessoas ignoradas subestimaram a culpa e a tristeza de quem sumiu, o desejo dessa pessoa de encerrar o contato e o alívio que ela sentiu depois.

No segundo experimento, um novo grupo de 601 pessoas imaginou situações de ghosting, e os participantes disseram se sentir pior ao se imaginar ignorando um amigo do que ao se imaginar como o amigo ignorado. O terceiro foi o mais perto de sortear os papéis que os autores consideram eticamente possível: 458 participantes foram pareados para uma conversa online de apresentação e depois escolhiam entre um segundo encontro marcado com a mesma pessoa ou pular, sem avisar o outro, que apenas ficava esperando.

O que a pesquisa fez, em três experimentosArtigo na Personality and Social Psychology Bulletin, resumido pelo BPS Research Digest em 16 de outubro de 2026. 1. Lembrança de um episódio real. 195 adultos dos Estados Unidos contaram como se sentiram e como imaginavam que o outro se sentiu. 2. Cenários imaginados. 601 pessoas se sentiram pior ao imaginar que ignoravam um amigo do que ao imaginar que eram ignoradas. 3. Conversa online e um segundo encontro. 458 participantes conversaram em pares e podiam faltar ao segundo encontro sem avisar. Fonte: BPS Research Digest, 2026-10-16.INFOGRÁFICOO que a pesquisa fez, em trêsexperimentosArtigo na Personality and Social PsychologyBulletin, resumido pelo BPS Research Digestem 16 de outubro de 2026.1Lembrança de um episódio real195 adultos dos Estados Unidoscontaram como se sentiram e comoimaginavam que o outro se sentiu.2Cenários imaginados601 pessoas se sentiram pior aoimaginar que ignoravam um amigo do queao imaginar que eram ignoradas.3Conversa online e um segundoencontro458 participantes conversaram em parese podiam faltar ao segundo encontrosem avisar.Fonte: BPS Research Digest, 2026-10-16.

Nesse terceiro teste, quem ficou esperando classificou a ausência como ghosting com mais frequência do que quem faltou, sinal, para os autores, de que o fenômeno é difícil de definir de forma objetiva. Quando quem faltou reconhecia a própria decisão como ghosting, sentia-se pior do que o outro lado previa, como nos experimentos anteriores. Há limitações a considerar: o primeiro estudo depende da lembrança e do autorrelato, o segundo trabalha com cenários imaginados, e o resumo só informa a origem da amostra do primeiro.

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