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Artigos questionam o foco no indivíduo nas mudanças de comportamento

Reportagem da APS reúne três artigos sobre poder, crenças pessoais e pressões sociais nas tentativas de mudar comportamento e personalidade.

Por
Redação Novidades Psi
Publicado em
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3 min
Fonte conferida em
Colagem com balança de dois pratos sobre uma mesa, livro aberto com uma fotografia e papel verde sálvia.
Fotografia: Wikimedia Commons, CC0. Contexto: Rijksmuseum (via Wikimedia Commons), CC0.

O que saiu

A Association for Psychological Science (APS) publicou em 2026-10-29, na revista Observer, uma reportagem que reúne três artigos recentes do periódico Perspectives on Psychological Science sobre os limites das intervenções que buscam mudar o comportamento de cada pessoa. O fio comum é a pergunta sobre quem tem poder para mudar e quando o foco deveria passar do indivíduo para os sistemas ao redor dele.

O que os estudos dizem

O primeiro artigo, de pesquisadores da Universidade de Oslo, da VID Specialized University e da UiT, a Universidade Ártica da Noruega, é teórico. Os autores argumentam que a ciência comportamental tende a ignorar as políticas, instituições e sistemas que restringem as escolhas, e assim corre o risco de responsabilizar pessoas por problemas sobre os quais elas têm pouco poder. Com exemplos de clima, saúde pública e finanças pessoais, propõem um referencial que une responsabilidade, poder e justiça, com um guia de perguntas para cada etapa de uma pesquisa: quem é responsabilizado, quem pode resolver o problema, quem se beneficia e quem paga os custos. Não descartam o nudge, a pequena mudança na forma de apresentar uma escolha, mas pedem que se pergunte a quem ele serve.

O segundo, da Flinders University e da Universidade do Texas em Austin, critica o que chama de metáfora do eu vazio: a ideia de que as pessoas são moldadas com facilidade por estímulos externos. Numa análise de dados secundários, os autores examinaram 41 hipóteses testadas em dois grandes projetos de replicação e classificaram nove como apoiadas nessa ideia. Nenhuma das nove foi replicada com sucesso, contra uma taxa de replicação de 81,2% entre os estudos que não partiam dessa metáfora. Os autores levantam a hipótese de que as crenças estáveis que cada pessoa tem sobre si ajudam a explicar por que efeitos como o priming social se mostraram tão difíceis de reproduzir.

O terceiro, de pesquisadores da Universidade de Zurique e colegas, discute programas que ajudam pessoas a mudar traços de personalidade de forma intencional, como ficar mais extrovertida ou mais organizada. A maioria desses programas deixa o participante escolher a meta, sem tratar uma personalidade como melhor que outra. Ainda assim, os autores alertam que a pressão para se encaixar na escola ou no trabalho pode moldar o que a pessoa decide mudar, e que os programas exigem tempo, esforço e recursos que nem todos têm.

Os três textos são de perspectiva e não testam intervenções novas. A reportagem não descreve teste empírico do referencial proposto em Oslo, e a própria fonte registra que o entusiasmo inicial com os nudges foi moderado por evidências de efeitos menos fortes e menos consistentes do que se esperava.

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