Ir para o conteúdo
Novidades Psi

Pesquisa

Coorte da Unifesp busca sinais do Alzheimer antes dos sintomas

Estudo Bioaz vai acompanhar 500 brasileiros com queixa de memória e discute como devolver resultados de biomarcadores a quem ainda não tem demência.

Por
Redação Novidades Psi
Publicado em
Leitura
4 min
Fonte conferida em
Colagem com livro aberto com uma fotografia, formulário impresso de uma caderneta e papel verde sálvia.
Fotografia: Rijksmuseum (via Wikimedia Commons), CC0. Contexto: Museu do Dinheiro do Banco Nacional da Bielorrússia (via Wikimedia Commons), Domínio público.

O que saiu

A revista Pesquisa FAPESP publicou em 2026-10-26 uma reportagem sobre o Estudo Brasileiro em Doença de Alzheimer (Bioaz), coorte montada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com apoio de um projeto temático da FAPESP. O objetivo é encontrar biomarcadores que indiquem quem vai desenvolver Alzheimer entre pessoas que já se queixam de memória, mas ainda não têm demência. A reportagem também trata do dilema de revelar um sinal biológico da doença a quem ainda não tem sintomas.

O que o estudo diz

O desenho é de coorte, com acompanhamento ao longo do tempo: a proposta é seguir por cinco anos 500 brasileiros a partir de 55 anos. A avaliação clínica combina questionário de autorrelato (escolaridade, renda, exposição a violência e poluição, entre outros itens), entrevista com especialistas e avaliações de neuropsicologia, fonoaudiologia e nutrição. Na parte biológica entram análises de plasma, tomografia de coerência óptica da retina, audiometria, neuroimagem e, em breve, coleta de líquor. O projeto envolve cinco departamentos da Unifesp e mais de 100 pesquisadores, com colaboração da USP, da UFRGS e da UFSCar.

A justificativa é a população estudada. Quase todas as grandes coortes de Alzheimer do mundo foram construídas com pessoas brancas, e a genética influencia os biomarcadores. Para representar a cidade de São Paulo, segundo o pesquisador responsável, a amostra precisa ter cerca de 10% de pessoas pretas e um terço de pardas, perto do que mostra o Censo Demográfico 2022 do IBGE. Esse é o maior obstáculo até agora: quem mais se voluntaria são pessoas brancas, em maioria mulheres, de alta escolaridade. O recrutamento está em pausa enquanto o grupo redesenha a estratégia, com aproximação de lideranças comunitárias, escolas e igrejas.

Os números iniciais são preliminares. A coorte reúne cerca de 125 participantes no primeiro ano, e análises exploratórias do plasma, feitas na UFRGS, sugerem que aproximadamente 25% da amostra têm marcadores compatíveis com Alzheimer, como a pTau217 plasmática. Uma análise proteômica, também preliminar, encontrou associações entre proteínas ligadas a inflamação, ao sistema complemento e ao metabolismo de lipídios, o desempenho em testes cognitivos e os níveis de pTau. Os próprios pesquisadores dizem que esses sinais precisam ser confirmados em mais participantes.

Tamanho das coortes citadas na reportagemParticipantes do Bioaz hoje e na meta, ao lado da maior coorte de Alzheimer do mundo. 1. ADNI, maior coorte do mundo (cerca de 2.700) 2. Bioaz, meta de recrutamento (500) 3. Bioaz, primeiro ano (cerca de 125) Fonte: Pesquisa FAPESP, 2026-10-26.INFOGRÁFICOTamanho das coortes citadas nareportagemParticipantes do Bioaz hoje e na meta, aolado da maior coorte de Alzheimer do mundo.ADNI, maior coorte do mundocerca de 2.700Bioaz, meta de recrutamento500Bioaz, primeiro anocerca de 125Fonte: Pesquisa FAPESP, 2026-10-26.

Leia também

Todas as notícias